Plantas aromáticas e medicinais: o passado, o presente e o futuro

Quantos recordam da infância os chazinhos que avós e mães preparavam com carinho quando não estávamos bem? O chá de casca de limão adoçado com mel para as constipações, a cidreira para as dores de barriga ou a tília quando o sono não chegava!


Limão, cidreira e tília são apenas algumas das muitas plantas aromáticas e medicinais (PAM) silvestres ou cultivadas de tradição milenária na medicina popular.


Os usos e virtudes dos chás do nosso imaginário e de muitas outras espécies da medicina tradicional chegaram até nós através das obras dos antigos autores grego-romanos (como Hipócrates e Dioscórides) e da transmissão oral dos conhecimentos empíricos acumulados e perpetuada ao longo de gerações. Por isso, as PAM, os seus usos e saberes fazem parte do domínio cultural de muitas regiões do globo e representam um rico património material e imaterial que importa preservar.
Nos últimos anos assiste-se a um renovado interesse pelas PAM, que acompanha alguma preocupação ecológica e a busca de alternativas à medicina convencional. Contudo, ao crescente interesse por estas plantas nem sempre corresponde o investimento na produção, na tecnologia, e no processamento e aprovisionamento de matérias-primas de qualidade. Mas em Portugal ainda há bons exemplos desenvolvidos por técnicos e pequenas empresas instaladas no setor da produção e comercialização de PAM.


No entanto, é fácil encontrar à venda material de qualidade duvidosa, mal identificado, incorretamente conservado e sem registo de proveniência, incluindo a colheita e venda sem controlo de plantas secas, produtos que apresentam, em geral, elevada heterogeneidade e qualidade deficiente, e que são obtidos por recolha de material silvestre, cujo impacto ambiental, económico e social não é conhecido e avaliado.


Muitos dos produtos derivados de PAM empregues correntemente foram testados e usados por gerações de utilizadores de todo o mundo. O conhecimento empírico revela-se assim uma ferramenta basilar para o aproveitamento racional destas espécies. Devido às numerosas propriedades e aos princípios ativos presentes (compostos do metabolismo primário e secundário das plantas), as PAM além de terem ampla utilização em fitoterapia e na indústria alimentar, farmacêutica e cosmética, também proporcionam importantes benefícios ambientais, económicos e sociais, sendo frequentemente apontadas como uma alternativa para a revitalização das zonas rurais.


O Centro de Investigação de Montanha e a Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Bragança realizam desde há vários anos inventários etnobotânicos, ensaios e análises químicas e bioquímicas que confirmam o interesse de muitas PAM de uso tradicional e a presença de compostos bioativos fundamentais no controlo de algumas doenças e na promoção da saúde em geral. A investigação desenvolvida pode ser acompanhada participando em estágios, atividades e eventos organizados ao longo do ano letivo (Dia Aberto, verão Ciência, Palestras).


Mas atenção, os compostos presentes nas PAM também têm efeitos adversos, por isso a recolha de plantas e o consumo de produtos à base de PAM devem ser controlados por especialistas.
O futuro das PAM passa pela avaliação das potencialidades, dos benefícios, dos riscos, pela inovação e criação de novos produtos, pelo uso sustentável e consumo consciente.


Pela sua saúde não arrisque! Informe-se e participe nas atividades de divulgação.

Roseira brava ou gravanceira. As pétalas, os frutos maduros e as galhas são empregues na preparação de vários remédios caseiros.

Poejo ou mangericão-do-rio. A parte aérea florida é usada para preparar infusões medicinais.

Ana Maria Carvalho, Lillian Barros, Isabel C.F.R. Ferreira (Instituto Politécnico de Bragança) - 2012-06-12 11:42:51