Já ouviu falar na perpétua-das-areias?

Trata-se de uma espécie mediterrânica, cujo nome científico é Helichrysum stoechas (L.) Moench, pertence à família botânica Asteraceae e é também conhecida por douradinha, perpétua ou alecrim-das-paredes. A esta família pertencem muitas espécies com interesse aromático e medicinal que, tal como a perpétua-das-areias, são desde há muito utilizadas na medicina tradicional e em fitoterapia.


É uma pequena planta herbácea, de base lenhosa, com caules eretos de cerca de 40 cm de altura. Folhas estreitas, lineares, cobertas de pelos e com a margem do limbo ligeiramente enrolada, que quando pressionadas desprendem intenso aroma. As flores amarelas estão organizadas em inflorescências globosas do tipo capítulo com textura palhosa. Em Portugal Continental tem uma distribuição alargada, com preferência por sítios secos e soalheiros, muito embora se encontre também em dunas e zonas rochosas próximas do mar.


Na medicina tradicional recomendava-se a infusão das sumidades floridas para tratar gripe e diferentes afeções do aparelho respiratório, tais como constipações, bronquite, rinite, sinusite e amigdalite. Em fitoterapia emprega-se para problemas digestivos e hepatobiliares e também em caso de cistite e uretrite. As aplicações externas são indicadas em caso de eczemas e dermatomicoses. O óleo essencial da perpétua é habitual em preparações dermatológicas para promover a cicatrização e em doentes com psoríase e urticária.


Muito embora tenha sido usada popularmente, há poucos estudos clínicos que validem as suas aplicações terapêuticas. Na Escola Superior Agrária de Bragança, após a caracterização da sua composição química, estão em curso mais estudos sobre as propriedades bioativas, com vista à sua posterior utilização em dermocosmética.

Marisa Barroso e Ana Maria Carvalho (Instituto Politécnico de Bragança) - 2013-05-02 14:24:39