Muitos de nós, em criança, brincávamos com os “estoirotes”, porque ao rebentar as corolas na palma da mão faziam um som característico, desconhecendo na altura a sua toxicidade e o seu contributo farmacológico.

A dedaleira é uma planta herbácea bienal espontânea na Europa Central e Meridional, vulgar em Portugal em terrenos não calcários, de preferência siliciosos, húmidos e sombrios.

Conhecem-se mais de vinte espécies de dedaleiras, das quais apenas duas têm interesse terapêutico: a dedaleira-púrpura ou simplesmente dedaleira (Digitalis purpúrea L.) e a dedaleira-lanosa ou dedaleira-grega (Digitalis lanata Ehrh.) da flora da Hungria, hoje muito cultivada para a extracção de heterósidos cardiotónicos.

Os digitálicos constituem um grupo importante de fármacos usados no tratamento de doenças do coração, nomeadamente de arritmias e insuficiências cardíacas. Contudo apresentam elevada toxicidade e efeitos secundários, que se manifestam com uma certa incidência pelo facto destes medicamentos possuírem uma pequena margem terapêutica. Ou seja, basta uma dose em duplicado para provocar efeitos tóxicos leves, tais como vómitos, náuseas entre outros; a intoxicação mais aguda gera um aumento da força sistólica que pode originar a paragem do coração, iniciando-se com diarreia, confusão e vertigens.