A irradiação de alimentos não é uma tecnologia recente, tem mais de 100 anos de investigação científica e cerca de 50 anos como tecnologia industrial, utilizada para fins comerciais na preservação de alimentos Nesta tecnologia o alimento é exposto a uma determinada dose de radiação ionizante, por um período de tempo pré-definido de acordo com o tipo de alimento que se pretende tratar.

Os tipos de radiação ionizante que podem ser utilizados na preservação de alimentos para eliminar microrganismos ou aumentar o tempo de prateleira podem ser a radiação Ultra-Violeta, a radiação Gama, os raios-X e Feixe de Electrões, dependendo do tipo de produto a processar e do fim pretendido.

As aplicações na indústria alimentar são diversas, tais como, desinfestação; descontaminação; redução das perdas causadas pelos processos fisiológicos naturais dos alimentos (germinação ou abrolhamento e maturação), eliminação ou redução dos microrganismos, parasitas e pragas sem causar qualquer prejuízo para o alimento mantendo, por conseguinte, a qualidade do produto por mais tempo.

Esta tecnologia é aplicada em alternativa a produtos químicos que deixam resíduos e são nocivos para o ambiente e para a saúde, em produtos alimentares tão diversos, tais como ervas aromáticas, especiarias, carne e peixe para descontaminação microbiológica; alho, batatas ou cebolas para inibição da germinação; frutas frescas ou secas, para eliminação de pragas ou insetos e aumento do tempo de prateleira.

A irradiação de alimentos está legislada e aprovada pelos principais órgãos reguladores, nomeadamente pela União Europeia (Directiva 1999/2/CE) e pela comissão conjunta da FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e OMS - Organização Mundial da Saúde, através da inclusão deste tipo de processamento no Codex Alimentarius, como um processo totalmente seguro, do ponto de vista toxicológico, radiológico, microbiológico e nutricional.

A comercialização de alimentos preservados por estas tecnologias tem pouca aceitação nos consumidores, assente em razões não científicas.

Contudo, a irradiação é utilizada à escala industrial por vários países, como Espanha, França, Reino Unido, Polónia, Hungria, Estados Unidos, Brasil, Canadá ou China. Portugal utiliza esta tecnologia apenas para esterilizar por irradiação produtos não alimentares, como por exemplo produtos cosméticos, farmacêuticos e dispositivos médicos.

Todos os produtos alimentares irradiados e colocados no mercado têm obrigatoriamente de indicar que o alimento foi “tratado por radiações ionizantes” e, no caso de alguns países, deve ainda incluir o logótipo “Radura”, descrito no Codex Alimentarius.