O meio ambiente e o desenvolvimento sustentável

As alterações no ambiente natural, ocorridas a nível global, têm recebido, nas últimas duas décadas, especial atenção das entidades nos âmbitos científico, político, económico e natural. As ciências sociais e comportamentais centraram-se agora nos impactos das ações humanas no ambiente e nos seus respetivos recursos.


Na verdade, estamos a consumir os recursos mais rápido do que a natureza os pode repor e as consequências desta realidade são graves e previsíveis. Neste sentido, é indubitável que a preocupação com o ambiente seja uma nova característica da sociedade neste novo século. No entanto, a elevada preocupação com os problemas socioambientais nem sempre vem acompanhada dos conhecimentos, das atitudes e, sobretudo, das competências necessárias para a sua resolução e prevenção.


Desde 1987 que tem vindo a crescer o consenso em torno da necessidade de uma transição mundial para um modelo de desenvolvimento sustentável. Mas, qual é, efetivamente, o significado desse conceito? A Comissão Mundial do Meio Ambiente e do Desenvolvimento, conhecida como Comissão Brundtland (1987), deu-lhe um caráter universal, definindo-o como o satisfazer as necessidades das gerações presentes sem comprometer a possibilidade das gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades. Se partilhamos a ideia de que o desenvolvimento sustentável é um desenvolvimento baseado no conhecimento, é preciso que aflorem não só as capacidades, mas também os compromissos e a disposição de agir.


A sustentabilidade exige que nós deixemos aos nossos filhos uma herança que não seja essencialmente pior do que aquela que nós próprios herdámos e, neste sentido, a humanidade pode e deve responder aos sinais que indicam que o crescimento mundial já alcança níveis insustentáveis, pelo que se torna urgente buscar soluções políticas, económicas, sociais e ambientais que afastem o mundo da borda do abismo a que se assoma. Torna-se premente, portanto, a efetiva ação dos educadores.
Resumindo, é necessário um desenvolvimento económico que seja compatível com os recursos disponíveis (finitos, limitados e mal repartidos) e com a conservação do ambiente, numa sociedade mais equilibrada e participativa. Neste sentido, a estratégia do desenvolvimento sustentável deve visar a promoção da harmonia entre os seres humanos, a economia e a natureza, numa sociedade em que não haja nem dominador nem dominado. Tal implicaria reconsiderar as prioridades e os valores pessoais, prescindindo em grande medida dos bens de consumo supérfluos, e a necessidade de adotar um estilo de vida mais simples.


A educação é a chave, em qualquer caso, para renovar os valores e a perceção dos problemas ambientais, desenvolvendo uma consciência e um compromisso que possibilitem a mudança, desde as pequenas atitudes individuais até à participação e envolvimento, efetivo, na resolução dos problemas. Supõe a análise crítica do enquadramento socioeconómico, que tem determinado as atuais tendências insustentáveis e preparar uma cidadania responsável e capacitada para a tomada de decisões sustentáveis no mundo global e complexo em que vivemos.

Márcia Moreno (Centro Ciência Viva de Bragança) - 2012-09-25 17:16:23