“Pequenos Cientistas”

Muitas pessoas consideram que adquirem os conhecimentos sobre Ciências através dos manuais escolares, utilizados ao longo do seu percurso educativo. Não imaginam, no entanto, que podemos aprender muito sobre Ciência fora da escola.



Ao longo do processo de aprendizagem, não é habitual relacionar a Ciência aprendida na escola com a Ciência que rodeia a nossa vida diária, como parte integrante do conhecimento e competências para a vida.



As crianças revelam muita curiosidade pelos fenómenos que as rodeiam, procurando descobrir o como, o quê e o porquê dos acontecimentos. Vivemos num mundo onde as questões científicas são veiculadas quase diariamente pelos jornais, televisão, rádio, internet... Cada vez mais os conteúdos científicos estão presentes, de forma direta ou indireta, nas nossas vidas e necessitamos deles para tomar decisões informadas e desenvolver ações conscientes no nosso dia a dia. A literacia científica constitui-se, por isso, como uma área fundamental na formação do cidadão.



Uma vez que os nossos conhecimentos condicionam as nossas decisões, o professor assume aqui, um papel fundamental. Sendo um agente dinamizador, mobilizador e facilitador da aprendizagem das crianças, deverá promover a aprendizagem das Ciências, integrando a participação ativa dos alunos, a experimentação e a curiosidade científica, motivando para o querer fazer, o querer ver e o querer saber porquê. A troca de conhecimentos e vivências entre alunos e professores, aliada à relação entre esses novos saberes, são alguns dos ingredientes necessários, também eles promotores da literacia científica. Desta forma, o trabalho experimental, que interrelaciona os conhecimentos formais da escola com as experiências cotidianas dos alunos, realizado como uma atividade de investigação adequada aos diversos contextos de ensino-aprendizagem, contribui para a criação de situações de aprendizagem significativas e promove um alargamento do conhecimento científico.



Todavia, devemos dar especial atenção à forma como “fazemos” ciência. Devemos considerar de extrema importância na atividade experimental o “fio condutor”, ou seja, colocar problemas, levantar hipóteses, fazer previsões, realizar experiências, fazer observações, recolher dados, tirar conclusões, entre outros. Torna-se fundamental a intervenção planeada do docente, assumindo a responsabilidade de sistematizar o conhecimento de acordo com os alunos em questão e com os contextos individuais e escolares de cada um, procurando sempre, como ponto de partida, integrar os conhecimentos prévios dos alunos no processo formal de ensino-aprendizagem.



Quantas mais oportunidades proporcionarmos às crianças para realizarem atividades experimentais, baseadas no conhecimento formal e na experiência individual de cada um, mais conhecimentos e competências adquirem, tornando a escola num local agradável, onde elas gostam de estar, se identificam e onde têm vontade de voltar, contribuindo assim para melhores níveis de literacia.

Arquivo Ciência Viva de Bragança

Rita Moreira Pires (Centro Ciência Viva de Bragança) - 2012-10-30 11:38:04