A ocasião faz o ladrão?... Percursos até à delinquência juvenil…

Apesar de cada pai traçar os objetivos da educação dos seus descendentes de uma forma mais ou menos diferenciada de acordo com as suas expetativas, experiências vividas e padrões de referência, a preocupação central é precaver o seu futuro, esperando que estes tomem o rumo certo.


Conscientes, mais ou menos intuitivamente, que existem alguns fatores que podem condicionar o seu percurso, procuram controlar o seu dia a dia, evitando que andem com “más companhias”, que se apliquem nos estudos e ocupam-lhes o tempo livre com atividades estruturadas. Quando, apesar do esforço investido, constatam que o jovem tem um comportamento menos adequado, as opiniões dividem-se e os palpites acumulam-se, sobre se a culpa é dos pais, da escola, dos amigos ou pura e simplesmente da oportunidade.
Mas, afinal, o que faz a diferença? O que sabemos sobre os principais fatores de risco associados à delinquência juvenil?


Um primeiro aspeto que não podemos descurar é que o comportamento juvenil desviante é normal, a intensificação e a continuidade deste comportamento é que deve ser alvo de preocupação.


A literatura científica indica que ao analisarmos a delinquência juvenil temos que procurar entender quais os fatores de risco e de proteção que estão presentes.


Os fatores de risco são um conjunto de fatores que estão identificados como sendo mais preditivos da atividade criminal de jovens, se bem que a mera presença destes fatores não determina forçosamente que o jovem revele um estilo de vida ou mesmo comportamentos desviantes, embora elevem a probabilidade de surgimento de determinados problemas de ajustamento.


Os fatores de proteção são aqueles que, por seu turno, podem ter influência na redução das oportunidades para a prática de comportamentos anti-sociais.


Estes fatores de risco/proteção podem ser divididos em oito categorias. Algumas dessas categorias são o tipo e gravidade dos delitos cometidos, a existência de dificuldades económicas, a educação/emprego e o consumo de substâncias como álcool ou drogas.


Em suma, a delinquência juvenil tem que ser encarada, forçosamente, de uma forma multifatorial, já que a evidência científica aponta que não existem relações de causa-efeito, mas sim que é um fenómeno heterogéneo, influenciado por fatores de risco e fatores de proteção que são interdependentes e se influenciam reciprocamente.

Catarina Rocha (Instituto Politécnico de Bragança) - 2013-06-19 12:15:22