Treino de Força Muscular em Idosos

O envelhecimento está, de uma forma geral, associado à perda de massa muscular, com repercussões na funcionalidade em realizar as atividades diárias e consequentemente na qualidade de vida. A perda da força e da massa muscular progressiva predispõe esta população a uma limitação funcional, com repercussões na sua independência, sendo este um fator de predisposição para muitos dos processos patológicos associados ao aumento da morbilidade e mortalidade. Porém, o fenómeno em causa, denominado de sarcopenia, deverá ser igualmente interpretado tendo em conta a diminuição da atividade física que acompanha o envelhecimento. Além disso, a perda gradual de massa e força muscular agravam os problemas ortopédicos, levando a uma maior decadência no estado de condição física e de saúde geral.


Este complexo fenómeno que é a sarcopenia deverá ser compreendido como tendo origem em componentes de ordem nutricional, endócrina, nervosa e funcional, com aumento dos problemas ao nível metabólico, diminuição da capacidade funcional e maior suscetibilidade a quedas e fraturas. Geralmente observa-se uma diminuição da flexibilidade e força das estruturas musculares e o predomínio de posturas incorretas que conduzem a desalinhamentos nas curvaturas da coluna, que por sua vez vão causar perda do equilíbrio.


A realização de atividade física surge como um elemento relevante na prevenção. O tipo de treino que mais tem sido estudado e recomendado é o treino de força. Este tipo de treino tem sido efetuado com elevada tolerância por parte de idosos, com excelentes resultados em termos de adaptação e ganhos na melhoria da capacidade funcional, o que por si só conduz a uma melhoria da qualidade de vida. Desta forma, os efeitos do treino da força na melhoria da função muscular são igualmente apontados como sendo específicos, pelo que outras formas de treino não (ex.: resistência cardiovascular), pois os mesmos não atenuam os declínios funcionais e morfológicos do tecido muscular associados ao envelhecimento.


É fundamental a promoção de programas de intervenção através das Autarquias e entidades locais, de forma a promover a inclusão da população idosa na sociedade, respeitando as necessidades e características do envelhecimento. Além disso, recomenda-se o acompanhamento e supervisão dos programas por profissionais da área das Ciências do Desporto. O respeito pela individualidade transporta normas e princípios que apenas podem ser determinados com conhecimento.

Miguel Monteiro (Instituto Politécnico de Bragança) - 2012-08-15 12:21:20