A nossa estrela

Sabemos hoje que a vida na Terra só é possível com a presença do Sol, estrela que fornece energia e luz a um cortejo de planetas que a orbitam. Não foi por acaso que a vida, tal como a conhecemos, aqui surgiu: o planeta que é a nossa casa está à distância ideal desta fonte de energia.


Talvez nunca nos tenhamos dado conta da desproporção de tamanho, mas o Sol é enorme, comparado com a Terra. Dentro de um Sol poderíamos arrumar, em termos de volume, cerca de um milhão de Terras! Qual a origem da nossa estrela e como funciona? Porque é quente? É diferente ou semelhante a outras estrelas que vemos no céu numa noite sem nuvens?


Como qualquer estrela da nossa galáxia, o Sol nasce, evolui e um dia morrerá. O nascimento dá-se com um processo muitíssimo banal no universo: uma nuvem de gás que se condensa, contraindo-se sob o seu próprio peso, até criar, na zona central, densidades e temperaturas suficientes para que se iniciem reações nucleares. Os núcleos dos atómos – essencialmente, numa fase inicial, de hidrogénio – fundem-se, formando um outro gás, o hélio. Deste processo de fusão resulta uma enorme libertação de energia luminosa e térmica que é essencial à vida na Terra. Convém ter a noção de que estes processos são muitíssimo lentos, ocorrendo em escalas de tempo gigantescas comparadas com as das nossas vidas: milhares de milhões de anos. É por isso que o Sol é considerada uma fonte de energia inesgotável. Isto é verdade, claro, apenas à escala minúscula das nossas vidas, mas não à escala da evolução do universo. A idade do nosso Sol é estimada em cerca de 5 mil milhões de anos e faltará outro tanto até que se esgote o combustível nuclear e se dê a fase de arrefecimento que anuncia a morte. A nossa estrela deixará de brilhar, mas o material que resultará da extinção voltará a condensar-se e dará eventualmente origem a uma nova geração de estrelas.


O Sol tem, sob vários pontos de vista, características muito comuns no universo: é uma estrela nem muito quente nem muito fria, nem muito grande nem muito pequena e o seu tempo de vida (período em que ocorrem reações nucleares) não é muito curto nem muito longo. Apesar disso, é relativamente brilhante comparada com as centenas de milhares de milhões de estrelas que se estimam existirem na nossa galáxia. Surge no céu como um disco de dimensões consideráveis em relação aos muitos pontinhos luminosos que vemos numa noite sem nuvens - que representam, na maioria, outras estrelas - porque está muitíssimo mais perto de nós do que todas as outras. A luz solar chega-nos em cerca de 8 minutos, enquanto a luz da segunda estrela mais próxima do nosso sistema solar demora mais de 4 anos a chegar à Terra!


Numa primeira observação, através de telescópios pouco sofisticados (obrigatoriamente munidos dos imprescindíveis filtros!), o disco solar apresenta-se desinteressante, homogéneo. Uma observação mais atenta, sobretudo fazendo uso de instrumentos mais sofisticados, mostra-se bem mais interessante. Em certas épocas surgem pequenas manchas escuras. Representam regiões menos quentes, variam em número e parecem mudar de posição. Sabe-se também que o Sol, tal como a Terra, tem um campo magnético, e concentrando-nos nas zonas exteriores, em particular durante um eclipse, podem observar-se espetaculares proeminências e ejeções de matéria. Com outro tipo de instrumentos que detetam radiação não visível, o Sol tem um aspeto ainda mais surpreendente, bem tempestuoso. Sabe-se hoje que o Sol tem um ciclo de atividade com uma duração média de cerca de 11 anos. Estamos atualmente em pleno num período de intensa atividade solar (com máximo previsto entre 2012 e 2014), o que poderá originar perturbações pontuais nas comunicações por satélite. Com os picos de atividade solar vêm as melhores épocas para se observarem as mais espetaculares auroras boreais.

Imagem recente, em ultravioleta extremo, mostrando regiões mais quentes e frias, erupções, proeminências e filamentos solares (Cortesia da NASA/SDO e

José Paulo Matias (Instituto Politécnico de Bragança) - 2013-07-18 11:15:48