O protótipo internacional do quilograma ou “Le Grand K”, como é vulgarmente designado, é uma esfera forjada a partir de uma liga de platina e irídio, que, em 1879, foi proclamada como o “quilograma perfeito”. Está guardada num cofre, nos arredores de Paris, selada em vácuo, sob a protecção de três campânulas de vidro. Para não interferir com a esfera original, podendo a humidade e a temperatura influenciar o seu peso, existem por todo o mundo em diversos laboratórios 80 réplicas fiéis à original. No entanto, o seu peso tem variado nos últimos anos, não se sabendo muito bem porquê, e a comunidade científica procura novas formas de redefinir o quilo como uma constante universal com base na natureza e não num objeto vulnerável a distorções. Isso já acontece com as outras unidades internacionais: o metro, o segundo, o ampere, o kelvin, a mole e a candela. O metro, por exemplo, é definido como a distância percorrida pela luz no vazio em 3,3 nano-segundos.

Atualmente, alguns físicos analisam esferas feitas de cristal de silício puro, que lhe permitam contar o número de átomos presentes num quilo. Outros cientistas medem o quilo em termos de gravidade e magnetismo. Quando houver resultados confirmados, um comité internacional tomará a decisão final quanto à redefinição desta medida e, a partir daí, não teremos que nos preocupar mais com o ganho ou perda de peso do “Grand K”.