As fissuras nas construções são preocupantes? O que fazer?

As fissuras ocupam o segundo lugar entre os defeitos mais comuns na construção civil. As causas para o aparecimento de fissuras são variadas e devem-se, essencialmente, às deformações que os diversos materiais que compõem o edifício sofrem. Pode haver deformações devido, por exemplo, a mudanças de temperatura e existência de humidade, movimentações do terreno por baixo do edifício ou na sua vizinhança (construção de túneis, galerias, caves ou outros edifícios), alteração do tipo de utilização do edifício para o qual não foi projetado, vibrações devido à ação sísmica, entre outros. O ideal seria conhecer efetivamente a causa que levou ao aparecimento deste tipo de patologia, de forma a se poder escolher a melhor maneira de tratar o problema. No entanto, na maioria das vezes, não existe apenas uma causa mas um conjunto de causas e efeitos intermédios que condicionam o aparecimento de fissuração em edifícios.


Uma observação mais pormenorizada do tamanho da fissura (comprimento, profundidade e abertura), assim como do seu comportamento (se é estável ou não), poderá dar uma ideia de como tratá-la. Consideram-se estáveis as fissuras que apresentem as mesmas dimensões ao longo do tempo (período superior a 1 ano). Pequenas experiências como, cobrir a fissura com uma fita adesiva ou com um pouco de gesso na extremidade, poderão dar uma ideia da progressão da fissura. Se a fita ou o gesso descolar ou partir, é porque a fissura não é estável.


No caso de fissuras estáveis com menos de 0,4mm, ou seja, que já não aumentam, o problema resolve-se com uma pintura decorativa. No caso de fissuras estáveis, que tenham medidas entre 0,4 e 1mm, deve-se abrir a fissura em forma de “V”, com 0,5cm de largura por 0,5cm de profundidade e remover todo o pó, dentro e na proximidade da fissura. De seguida, aplicar um betume próprio, de forma a preencher bem a fissura. Após endurecer, deve-se lixar o suporte para que fique uniforme, seguido de uma limpeza, e finalizar a reparação com uma pintura, como mostra a Figura. No caso de a fissura ser exterior deve ser aplicada uma tinta flexível, impermeável de fora para dentro, com permeabilidade ao vapor de água de dentro para fora. Se a fissura for no interior deve ser aplicada uma tinta flexível, com resistência ao aparecimento de fungos. Se as fissuras não são estáveis, qualquer reparação superficial que se faça é apenas temporária. Neste caso, ou se são de dimensões superiores a 1mm, a melhor solução será consultar um especialista.

Figura 1 – Esquema de reparação

David J. R. Almeida, Nélio M. M. Pires, Eduarda Luso (Instituto Politécnico de Bragança) - 2012-07-18 11:37:59