O mundo atual seria o mesmo se o papel não tivesse sido inventado?

Há muitos anos atrás, no tempo em que os homens viviam em cavernas, estes pintavam situações do seu dia a dia nas paredes das grutas. A pedra foi durante muito tempo o único material de registo utilizado.


No ano 3500 antes do nascimento de Cristo, os egípcios inventaram um novo material de registo, feito a partir de papiro, uma planta que crescia nas margens do rio Nilo.


O talo desta planta era cortado em tiras longas e finas, que depois de sobrepostas e cruzadas, eram batidas com um martelo, secas ao sol e finalmente alisadas com uma pedra polida. Foi a palavra “papiro” que deu origem à palavra “papel”.


Por sua vez, o pergaminho situa-nos na Ásia Menor, na cidade de Pérgamo, onde os seus habitantes desenvolveram uma técnica de secagem de peles de animais, que depois de raspadas, secas e polidas com uma pedra pomes, se tornavam lisas e flexíveis, permitindo que se escrevessem nelas, dos dois lados. Este novo material de escrita, embora dispendioso, foi utilizado na Europa durante quase toda a Idade Média.


A invenção do papel é atribuída a T-Sai Lun, no ano 105 depois de Cristo, na China. Durante mais de 500 anos este segredo foi guardado pelos chineses, até que no ano 751, em Samarcande, os Árabes tomaram conhecimento desta técnica. A partir daí, o fabrico do papel difundiu-se por toda a Europa.
Pela mão dos árabes, a técnica da produção de papel aproximou-se, progressivamente, da Península Ibérica, surgindo em Espanha no ano de 1150. Em Portugal, o primeiro moinho de papel surgiu somente em 1411, na cidade de Leiria.


Os moinhos de papel, tal como os moinhos de cereal, aproveitavam a energia hidráulica, a energia da água e, por isso, localizavam-se junto a cursos de água.


O papel era produzido a partir de trapos de algodão ou linho, aproveitando-se roupas velhas para esse fim. Contudo, quando as necessidades de papel aumentaram e os trapos já não eram suficientes para a sua produção, começou-se a reutilizar o papel velho como matéria prima para a produção de papel novo. Como vê, a reciclagem já não era, na altura, uma novidade!


Há mais de 100 anos, os fabricantes de papel encontraram uma nova matéria prima, a pasta de celulose, que é retirada da madeira das árvores.
A partir dos anos 60, o eucalipto tornou-se a espécie mais utilizada para o fabrico de celulose, uma vez que apresenta um ciclo de crescimento mais rápido do que outras espécies arbóreas e, por isso, tornou-se a principal fonte de fibras para a produção do papel.
Este facto constitui uma ameaça à biodiversidade planetária, pois verificam-se plantações massivas de monoculturas de eucalipto e, consequentemente, o corte de milhares de árvores, provocando uma visível desflorestação.


A solução poderá passar pela reciclagem de papel, ou seja, pelo aproveitamento de papel usado como matéria prima para o fabrico de papel novo. Desta forma, uma tonelada de papel reciclado evita o abate de 15 a 20 árvores.


O processo de reciclagem, com enormes vantagens, começa, nos aglomerados populacionais, pelo uso de recipientes de recolha de papel usado. Quem não conhece o contentor azul do Ecoponto?

Produção de papel (http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Paper_production.jpg)

Márcia Moreno (Centro Ciência Viva de Bragança) - 2012-08-28 11:12:02