A lagarta do pinheiro pode ser um problema de saúde pública?

Antes de responder à questão, apresento-vos a lagarta do pinheiro!


De certeza que já reparou, principalmente no outono e no inverno, quando passa em espaços florestais com pinheiros ou cedros, que alguns apresentam nas extremidades dos ramos virados para o sol, bolsões formados por fios sedosos brancos semelhantes a algodão doce!


Sabe o que são esses bolsões? Não são mais do que ninhos da lagarta do pinheiro, designada também por processionária do pinheiro (Thaumetopoea pityocampa Schiff.), tratando-se de uma praga florestal. Estes ninhos protegem as lagartas contra o frio, permitindo-lhes resistir às baixas temperaturas sentidas durante o inverno.


O ciclo de vida deste inseto passa por quatro fases: ovo, lagarta, pupa e borboleta. As posturas dos ovos são feitas de finais de junho a setembro. As lagartas começam a nascer no verão, podendo estender-se até ao outono, uma vez que o período de incubação é de 30 dias. Na fase de lagarta passa por cinco etapas, realizando mudas entre cada uma, alimentando-se apenas nesta fase do seu ciclo de vida. No final do inverno e na primavera param de se alimentar e descem das árvores, em grupo e em fila, como se de uma procissão se tratasse, daí o nome de processionária. De seguida, enterram-se no solo para passarem à fase de pupa. Permanecem aí até ao verão, altura em que eclode a borboleta, para acasalar e por ovos. No entanto, podem permanecer sob a forma de pupa um, dois ou três anos, ou seja, poderão ficar enterradas no solo todo este tempo.


Como a lagarta se alimenta das agulhas das árvores designa-se por inseto desfolhador. As árvores onde se alimenta ficam debilitadas e há redução do seu crescimento lenhoso, no entanto, grande parte delas recupera dos ataques deste inseto. A intensidade dos seus ataques depende do seu nível populacional, sendo mais fortes quando a população deste inseto é maior.


Esta praga pode provocar problemas de saúde pública, uma vez que na etapa em que descem das árvores para se enterrarem no solo, as lagartas possuem pelos urticantes.


Durante este período, caso o Homem toque nestes pelos, pode provocar alergias na pele, no globo ocular e a nível respiratório. Em casos mais graves pode levar à cegueira e à morte. A gravidade dos problemas depende das condições físicas da pessoa afetada. Contudo, quando surgem sintomas de alergia é aconselhável recorrer ao médico. Também provocam efeitos nefastos noutros animais, como por exemplo nos cães, que facilmente se picam porque naturalmente são curiosos e cheiram as lagartas.


Há zonas no nosso país em que as entidades competentes informam a população, na altura de infestação, dos riscos que correm e das medidas de proteção a tomar.

Clotilde Nogueira (Centro Ciência Viva de Bragança) - 2012-10-30 11:44:20