A vegetação ribeirinha faz parte do ecótono ripário, um espaço tridimensional de interação entre os sistemas aquáticos e terrestres, composto por um mosaico de habitats onde habita uma diversidade de comunidades florísticas e faunísticas.

As comunidades herbáceas, arbustivas e arbóreas garantem a estabilidade das margens dos rios e evitam fenómenos de erosão e perda de solos. São ainda um poderoso filtro biológico de nutrientes, que acabam por ficar retidos na biomassa das plantas evitando a poluição e eutrofização da água. Devido ao ensombramento promovido no canal, a vegetação ribeirinha regula a temperatura da água, impede a proliferação de algas indesejáveis e permite a vida de muitos organismos com diferentes requisitos ecológicos. Por outro lado, as folhas dos amieiros e salgueiros são uma fonte importante de alimento para vários seres vivos aquáticos. Os rios de montanha dependem fortemente da entrada destes materiais orgânicos para o seu funcionamento energético. As zonas marginais dos rios são também muito apreciadas pelo Homem, uma vez que fornecem um microclima fresco, uma grande qualidade olfativa e sonora, sendo espaço de numerosos eventos de caráter social e cultural.

Pena é que existam muitas zonas degradadas pela agricultura intensiva, pastoreio, urbanização, canalização e regularização que importa requalificar e renaturalizar no sentido de retomar as funções outrora desempenhadas por estes ecossistemas singulares.