A história e ciência do sabão

O sabão é um produto muito antigo, datando da pré-história. A sua descoberta foi acidental, uma vez que, na sequência de chuvas fortes, foi observado, pelos primeiros povos que cozinhavam a sua carne, o aparecimento de uma espuma à volta dos resíduos do fogo.


Existe uma lenda antiga que conta que o sabão é originário no Monte Sapo, nas proximidades de Roma. Este era um local onde se realizavam sacrifícios de animais, sendo que quando chovia, o sebo derretido, juntamente com as cinzas, eram arrastados pela água até ao rio Tibre. As mulheres que lavavam a roupa nesse local começaram a notar que esta ficava mais limpa em comparação com outros locais do mesmo rio. Assim, pensa-se que o termo "saponificação" (a reação química que origina o sabão) terá a sua origem no nome deste monte.


O povo Babilónico foi o primeiro a dominar a arte da produção do sabão, utilizando na sua confeção, gorduras fervidas com cinzas. Contudo, foram os fenícios a ficar com este mérito. Durante mais 5 mil anos foram atribuídas ao sabão propriedades medicinais, sendo este utilizado, por exemplo, na cura de feridas. Só mais tarde passou a ser utilizado para lavar roupa. Em termos de higiene pessoal, lavar o corpo com sabão tornou-se depois uma moda entre os nobres que passaram a tomar banho todos os dias, fato pouco habitual para a época.


Com a evolução deste produto, o processo de produção começou a ser industrializado, inicialmente na europa, no século XIX, e mais tarde nos EUA. Em 1806 William Colgate abriu a primeira grande fábrica de sabão nos EUA, chamada Colgate & Company.


Então de que é feito o sabão?


O sabão é produzido através de gorduras ou óleos por reação química com uma base forte (reação de saponificação). Na antiguidade utilizava-se a cinza, pois esta apresenta caráter básico uma vez que possui carbonato de potássio. As gorduras ou óleos são compostos químicos chamados triacilgliceróis que se apresentam no estado sólido ou líquido, respetivamente. Da reação com a base forte forma-se glicerina (glicerol) e sabão (sais de ácidos gordos). O sabão é um tensoactivo, ou seja, reduz a tensão superficial da água fazendo com que esta "molhe melhor" as superfícies. Atualmente a produção de sabão faz-se com uma base forte (por exemplo, hidróxido de sódio ou potássio de sódio), quer a nível industrial, que para uso doméstico. No processo de produção do sabão a glicerina pode ser deixada no produto final conferindo-lhe propriedades hidratantes. Pode contudo funcionar também como um excelente aditivo para outros cosméticos.


Sabão amigo do ambiente

Marisa Rodrigues (Centro Ciência Viva de Bragança) - 2013-05-04 16:36:04