O lobo ibérico...

Ainda hoje podemos ouvir relatos dos mais velhos sobre a vinda de lobos à cidade nas grandes nevadas, que caíam na nossa região! E muitas destas histórias reais e outras irreais, com o lobo mau à mistura, fazem parte do nosso imaginário! Pensando bem, não conheço uma única história em que o lobo é bonzinho, o leitor conhece?


Atualmente, na nossa região quando ouvimos falar de lobos, são notícias que nos chegam, basicamente, através da comunicação social, sobre o ataque de lobos ao gado, principalmente dentro das áreas protegidas existentes no nosso distrito, no Parque Natural de Montesinho e no Parque Natural do Douro Internacional. E há quem fique contente em saber da sua presença no nosso território, mas há também quem gostasse de saber que não existe por cá, pelos mais variados motivos, entre eles, os prejuízos económicos resultantes dos seus ataques. Mas não vamos discutir neste artigo quem está certo ou quem está errado...


O lobo que existe no nosso país pertence à espécie Canis lupus signatus, distribuindo-se por toda a Península Ibérica, onde é endémico, pelo que também é chamado de lobo ibérico.


Como é do conhecimento geral, o lobo é um animal carnívoro, que vive em grupos sociais hierarquizados, designados por alcateias. São geralmente constituídas por um casal dominante, designado por par alfa, pelas crias de anos anteriores e pelas desse ano, caso já tenham nascido. O casal dominante é o que se reproduz. Cada alcateia delimita o seu território, efetuando marcações odoríferas, com a urina e fezes. A área marcada por cada alcateia, depende do número de membros que a constitui, da disponibilidade de alimento e da região em que se move. As presas naturais deste animal carnívoro, são essencialmente o corço, o veado e o javali, sendo as suas capturas feitas em grupo.


O lobo desempenha diversas funções no ecossistema. Nas suas caçadas, por exemplo, a alcateia escolhe as presas mais fáceis de capturar, optando pelos indivíduos mais frágeis e fracos, podemos assim dizer que tem função sanitária e, como consequência, os indivíduos que sobrevivem nas populações das suas presas são os mais fortes, logo mais interessantes para a atividade cinegética. Ao predar determinadas espécies, possibilita o controlo do número de indivíduos, evitando um grande aumento das suas populações. A sua diminuição ou o seu desaparecimento provocam, consequentemente, desequilíbrios no ecossistema!


Devido à redução das suas presas naturais e à destruição do seu habitat, o lobo começou a atacar o gado criado pelo Homem, facto que gerou uma caça desenfreada a este animal. O abate de lobos quase que fez desaparecer este carnívoro do nosso território, pelo que se estima que a sua população atual seja de cerca de 200 a 400 indivíduos, ocorrendo essencialmente na zona norte de Portugal. Foram vários os meios utilizados para matar os lobos, nomeadamente venenos, armas de fogo, armadilhas, entre outros.


Atualmente, o lobo ibérico é uma espécie protegida no nosso país, tendo-se adotado medidas de conservação desta espécie, com vista à recuperação das suas populações. De entre as várias medidas implementadas, salienta-se a indeminização que é paga aos proprietários de gado atacado por lobos.


Este animal é objeto de diversos estudos. Em Portugal existem vários grupos e técnicos que se dedicam à sua conservação, como por exemplo, o Grupo Lobo. Se é sem dúvida uma espécie que deve ser preservada, o que acha, o lobo é mau?

Clotilde Nogueira (Centro Ciência Viva de Bragança) - 2013-08-21 15:16:19