Rochas, há muitas!

Desde o início da humanidade, o Homem procura e utiliza diferentes materiais para seu proveito. Este facto está bem documentado desde a pré-história, tanto que, atualmente, quando nos referimos à história da evolução do Homem, os nomes dos períodos em que determinados materiais foram descobertos e começaram a ser utilizados, acabam por retratar o seu uso. Se falarmos no Paleolítico ou no Neolítico, temos uma vaga ideia do que ocorreu, mas certamente que quando se fala na Idade da Pedra, a nossa memória não nos trai e associamos ao início da utilização de rochas! Com elas, inicialmente, fabricaram objetos pontiagudos, que podiam usar, por exemplo, para caçar ou como ferramentas. Quem não consegue, ao ler este texto, visualizar um machado de pedra lascada ou uma lança para caçar? Após o início da sua utilização, o aperfeiçoamento foi evidente, da pedra lascada passou-se à pedra polida!


Desde então, o uso dos diferentes tipos de rochas é banal. Pensemos nas suas aplicações, imaginando o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém, o Mosteiro da Batalha, o Convento de Mafra, o Castelo de Bragança, e muitos mais edifícios/monumentos cuja construção é em pedra! E a mó utilizada para moer os cereais! E os pelourinhos existentes em tantas povoações! As aplicações são inúmeras, dependem das características que a pedra/rocha tem, para a aplicar no que pretendemos. Mas as rochas têm todas a mesma origem? Não, as rochas classificam-se em três tipos principais: as magmáticas, as metamórficas e as sedimentares.


As rochas magmáticas (ou ígneas), como o próprio nome sugere, provêm do magma, que não é mais do que uma massa semilíquida que existe no interior da terra, que arrefece e solidifica. Quando solidifica em profundidade, dizemos que é uma rocha magmática intrusiva, como por exemplo, o granito- certamente já ouviu falar das pedreiras de granito de Vila Pouca de Aguiar. Quando solidifica à superfície, trata-se de uma rocha magmática extrusiva, como o basalto, tão comum nas ilhas dos arquipélagos dos Açores e da Madeira!


As rochas metamórficas resultam de rochas pré-existentes, isto é, de magmáticas, metamórficas e sedimentares, que, em profundidade e sujeitas a pressões e temperaturas elevadas, se alteram, dando origem a outras rochas. Quem nunca escreveu num quadro de ardósia? É isso mesmo, a ardósia é uma rocha metamórfica.


Já as rochas sedimentares, como o próprio nome indica, têm, maioritariamente, origem em sedimentos, mas também podem ter uma origem química, que resulta da precipitação de determinados compostos químicos em ambientes sedimentares (por exemplo, o carbonato de cálcio, CaCO3). Estes sedimentos provêm de rochas pré-existentes, que à superfície da Terra, estão sujeitas à meteorização e à erosão, originando a sua desagregação. Os sedimentos formados são transportados e depositados noutros locais, onde poderão ser consolidados, ou não! Os fósseis são encontrados neste tipo de rochas. Há muitas estátuas feitas em calcário, que é uma rocha sedimentar.


Sabia que assim como existe o ciclo da água, também existe o ciclo das rochas?
Tal como outros fenómenos cíclicos na natureza, as rochas sofrem ao longo de milhões de anos um ciclo contínuo, envolvendo as rochas magmáticas, metamórficas e sedimentares. Apesar deste processo ser extremamente lento à escala humana e, portanto, impercetível ao Homem, ele está constantemente a acontecer. A atividade sísmica e vulcânica que esporadicamente observamos são um indício da existência desse fenómeno.

Aldeia de Montesinho (granito). Autor: Paulo Mafra

Aldeia de Sortelha (granito). Autor: Clotilde Nogueira

Clotilde Nogueira (Centro Ciência Viva de Bragança) - 2013-08-31 11:39:52