Quase toda a gente acha que não bebe água suficiente, mas a ideia de que devemos beber muita água, cerca de 8 copos por dia, não é baseada em evidências científicas.

Ninguém sabe muito bem onde começou a ideia dos 8 copos; alguns responsabilizam a indústria da água engarrafada, mas na verdade os profissionais de saúde têm vindo a defender estes níveis de consumo ao longo de décadas.

Esta dose pode ter resultado de uma recomendação do US National Research Council (1945), que indicava que os adultos deveriam consumir 1 mL de água por cada kcal de comida ingerida, o que perfaz cerca de 2,5 L para o homem e 2 L para a mulher, de acordo com as doses diárias recomendadas de ingestão de calorias em ambos os casos.

O que a maioria das pessoas não sabe, é que nós obtemos muita água a partir dos alimentos que ingerimos. Os alimentos contêm água e são metabolizados quimicamente para produzir dióxido de carbono e mais ÁGUA.

Assim, a menos que costume transpirar “como um touro”, as suas necessidades de água diárias aproximam-se de 1,2 L.

Também se diz que as bebidas com cafeína (por exemplo, chá e café) não contam para a dose diária de água por serem diuréticas. Mas isto não é verdade. Mesmo as bebidas moderadamente alcoólicas (uma a duas por dia) têm um efeito mais hidratante do que desidratante.

Outra ideia errada, é a de que quando as pessoas têm sede, estão já desidratadas. Mas não é assim. A sede aparece muito antes de se terem perdido quantidades importantes de fluidos. É apenas necessário que as concentrações de solutos no sangue subam 2%, ou menos, para que sintamos sede; mas o organismo só se considera desidratado quando essas concentrações sobem 5 por cento ou mais.

Assim sendo, tenha calma e confie no seu corpo. Não se force a beber “litradas” de água por dia; beba, não apenas água, quando tiver sede.