O que é a luta biológica?

É a utilização de organismos vivos, ou dos seus produtos, para evitar ou reduzir as perdas ou danos causados pelos organismos nocivos.



Em Portugal são conhecidos alguns casos de luta biológica já nos finais do século XIX e início do século XX. O primeiro foi a introdução de Vedalia, inseto semelhante a uma joaninha, em 1897, para o combate à Icerya, cochonilha que suga a seiva dos citrinos, em laranjais dos arredores de Lisboa, no que foi o primeiro ensaio de luta biológica moderna levado a cabo na Europa.



Este meio de luta, alternativo à utilização de fitossanitários químicos, inclui o uso de numerosos grupos de inimigos naturais ou auxiliares, como: insetos, as joaninhas; ácaros, os fitoseídeos; vertebrados, as aves; nematodes, bactérias e fungos, que podem atuar como predadores, parasitoides, parasitas ou patogénicos. Neste meio de luta está incluída, também, a utilização de feromonas, hormonas juvenis, técnicas autocidas e manipulações genéticas.
Existem três modalidades de luta biológica: limitação natural; luta biológica clássica e tratamento biológico.


Na limitação natural, os auxiliares asseguram a redução das populações de pragas e de alguns patogénios. Na luta biológica clássica, procura-se combater uma praga exótica que causa prejuízo numa cultura de uma região através da introdução de auxiliares provenientes, normalmente, da região de origem dessa espécie. O tratamento biológico pretende aumentar a proporção de inimigos naturais indígenas.


Os benefícios deste meio de luta são a redução do gasto em produtos químicos; a maior segurança alimentar e proteção do meio ambiente pela redução do uso de produtos fitossanitários; a melhoria da saúde do ecossistema; a volta às condições ecológicas do ecossistema antes da introdução da praga. Contudo, uma série de limitações podem ser apontadas, nomeadamente: os efeitos indesejados sobre a fauna indígena; o risco sanitário, uma vez que podem estar a ser introduzidos patogénios para as plantas; os auxiliares podem estar infestados e resultar, por isso, ineficazes; é necessário o apoio técnico e, também, comprovar a eficácia dos inimigos naturais na zona da cultura.

Mª José Miranda Arabolaza, Paula Cristina Baptista e Sónia Santos (Instituto Politécnico de Bragança) - 2012-08-23 11:20:50