Beber água: um comportamento saudável

Apesar de ser o maior constituinte do corpo humano e o elemento mais importante para a manutenção da vida nem sempre lhe damos o devido valor. A água é utilizada pelo organismo para transportar nutrientes e eliminar elementos indesejáveis, bem como para regular a temperatura e proporcionar um bom funcionamento celular, incluindo a função cerebral.


Através da membrana celular ocorre um intercâmbio de líquidos, em que se verificam perdas de água pelos pulmões, pele e intestino na ordem dos 600 a 1400 ml/dia, pelo que é necessário ingerir cerca de 2000 ml/dia para compensar essas perdas.


A quantidade de água que cada pessoa necessita é proveniente dos alimentos e de bebidas e depende de vários fatores, incluindo a idade, o sexo, as condições climáticas, o vestuário e a atividade física. O verão é, sem dúvida, a época do ano em que a questão da ingestão desta preciosidade se torna ainda mais pertinente.


Será que todos temos necessidade de ingerir a mesma quantidade de água? Sendo a sua ingestão importante em todos os grupos etários, sucedem-se várias mudanças fisiológicas na sequência do processo de envelhecimento que podem afetar o equilíbrio hídrico nos idosos, colocando-os em maior risco de desidratação. Por um lado, o mecanismo de resposta de sede diminui com a idade e muitas vezes as pessoas idosas ficam desidratadas sem sentirem sede. Por outro lado, a vulnerabilidade ao calor, sentida neste grupo etário, resulta não só da própria doença e da falta de autonomia que condiciona o isolamento social como também da medicação associada, que interfere com o mecanismo da termorregulação.


A desidratação surge como consequência da perda exagerada e/ou consumo deficiente de líquidos, resultando muitas vezes na hospitalização e com resultados que poderão ser fatais. Aumenta o risco de infeção e, se esta for negligenciada, pode, em alguns casos, causar a morte. De acordo com a Direção Geral de Saúde, os sinais clínicos de desidratação incluem: grande fraqueza e/ou grande fadiga; dificuldade recente em se mobilizar; tonturas, vertigens, perturbações da consciência e convulsões; náuseas, vómitos e diarreia; cãibras musculares e secura das mucosas.


Para promover uma boa hidratação sugerem-se as seguintes práticas diárias:
• Beber 1 a 2 copos (preferencialmente água) pela manhã ao acordar; durante o dia beber de 1 em 1 hora, tentando consumir 8 copos de água ao longo do dia;
• Entre as refeições, beber idealmente 30 minutos antes de comer;
• Beber sem ter sede;
• Beber pequenas quantidades em vez de uma grande quantidade de uma só vez;
• No caso particular de residências de idosos, colocar a água em local visível e disponível, lembrando os residentes para a beber com regularidade;
• Na presença de febre recomenda-se a ingestão de 500 ml de líquidos por cada grau de temperatura acima dos 38 ºC;
• Evitar bebidas alcoólicas, bebidas com cafeína e refrigerantes com gás.


O consumo de líquidos de forma adequada promove vários resultados positivos. No caso dos idosos poderá resultar num menor número de quedas, numa menor incidência de prisão de ventre e na diminuição do risco de desenvolver cancro de bexiga.


O consumo voluntário de água assume-se como um comportamento chave para a manutenção de um adequado balanço hídrico e, consequentemente, de uma boa saúde.

Celeste Antão, Adília Fernandes e Carlos Magalhães (Instituto Politécnico de Bragança) - 2012-09-25 17:30:21