Álcool e condução

A sinistralidade no nosso país é hoje considerada um verdadeiro problema de saúde pública, tanto pela sua incidência como pelas vidas interrompidas e sofrimento incalculável dos seus familiares.


Nos últimos anos, tem havido especial preocupação na relação entre o consumo de álcool e o risco de doença, nomeadamente vários tipos de cancro e doenças cerebrovasculares. O excesso de consumo de álcool é também uma importante causa de acidentes de viação, sendo a principal causa direta em 40 a 50% dos acidentes mortais.


Na realidade, pelas características do próprio álcool, este provoca efeitos no nosso organismo que vão desde as alterações cognitivas, motoras à velocidade da capacidade reflexiva aos obstáculos ou necessidade de tomada de decisões acertadas em diferentes circunstâncias. A condução é uma competência que exige atenção, concentração e tomada de decisões instantâneas que na presença do álcool estão diminuídas, e o inesperado pode acontecer…


Se tivermos em conta que numa alcoolémia acima de 0,4 g/l o controlo da velocidade, o processamento de informação e a coordenação dos movimentos está afetada e que há uma perda de visão periférica na ordem dos 30% é fácil perceber o risco. Sobre esta realidade já Mello, Barrias e Breda, em 2001, afirmavam que antes de atingir os 0,5 g/l legalmente instituído “muitos indivíduos podem apresentar já redução da concentração e da capacidade de efetuar manobras simples e de mudanças de direção; tendência a uma conduta mais arriscada e de maior velocidade, bem como um risco de ligeira perturbação das capacidades de reação simultânea; problemas da visão lateral, dificuldade em distinguir sinalização, erros na apreciação da distância e, finalmente, redução da assimilação das perceções”.
É fácil atingir a concentração de álcool permitido por lei. Bastam dois ou três copos de cerveja. Como à medida que se continua a beber a perceção da gravidade diminui o risco de acidente aumenta.


Considerando que na maioria das vezes julgamos conhecer o nosso ponto de tolerância, a realidade diz-nos que, regra geral, quando admitimos que chegamos ao ponto crítico, há muito que este foi ultrapassado e, como tal, não nos encontramos com capacidade para conduzir com segurança.


Existem alguns fatores que interferem na absorção do álcool, tais como a idade, o sexo, o tipo de bebida, a fadiga, a presença de comida no estômago, entre outros.


Chegou a altura de fazer STOP, pelo que “se conduzir não bebo e se bebo não conduzo” “nem vou à boleia de quem conduz depois de ter bebido”.


A fronteira entre o que se designa de consumidor normal, consumidor excessivo e consumidor com dependência nem sempre é fácil de delimitar. Considerando que os problemas ligados ao consumo do álcool são fáceis de identificar, parece pertinente refletir sobre esta problemática porque também podemos ser vítimas.


Daqui surge então a necessidade de prevenir, sendo que prevenir é sinónimo de antecipar e evitar.

Celeste Antão, Adília Fernandes e Carlos Magalhães (Instituto Politécnico de Bragança) - 2012-10-09 11:05:58