O nosso ouvido

O ouvido humano divide-se em três partes: o ouvido externo, o ouvido médio e o ouvido interno.


O ouvido externo é constituído pelo pavilhão auricular, que também tem a função de dissipar calor quando ficamos com as “orelhas quentes”, e pelo canal auditivo, que produz a conhecida cera dos ouvidos. O pavilhão auricular (ou orelha) capta a vibração das ondas sonoras e redireciona-as para o canal auditivo que as conduz e amplifica até à membrana do tímpano (aqui começa o ouvido médio). Esta é a membrana que por vezes sofre pequenas perfurações devido a causas como a elevada pressão da água ou a sons demasiado altos. Esta membrana está ligada a três pequenos ossículos conhecidos como martelo, bigorna e estribo. As ondas sonoras conduzidas pelo canal auditivo fazem vibrar esta membrana que transmite movimento aos três pequenos ossículos que se articulam, transmitindo uma vibração mecânica ao ouvido interno (a terceira parte do nosso ouvido). Estes ossículos estão protegidos por alguns músculos que limitam o seu movimento, protegendo, assim, o ouvido interno de sons exageradamente intensos. Então, o estribo transmite movimento à janela redonda e à janela oval. Ora, é exatamente esta janela redonda e os seus canais semicirculares que são responsáveis por mantermos o equilíbrio, dando-nos a noção de verticalidade.


A sensibilidade do ouvido humano varia com a frequência. Temos a capacidade de ouvir sons desde os 20 Hz até cerca dos 20 kHz. Mas, somos mais sensíveis (ouvimos melhor) os sons de frequência entre, aproximadamente, um e cinco kHz. As frequências abaixo dos sons que ouvimos (abaixo dos 20 Hz) são conhecidas como infrassons e acima dos sons que ouvimos (acima dos 20 kHz e até aos 40 kHz) como os ultrassons.
Com a idade perde-se sensibilidade aos sons de mais altas frequências (mais agudos). A perda auditiva pode ser medida por um audiograma (ou tonaudiograma) que compara a sensibilidade auditiva às diversas frequências com uma curva padrão.
E agora por curiosidade.


Os animais terrestres e alguns marinhos têm um processo de audição semelhante aos humanos, com eventuais pequenas diferenças que alteram a gama de frequências ouvidas. Por exemplo: os cães ouvem dos 40 Hz aos 40 kHz. Ou seja, ouvem os ultrassons que os humanos não ouvem. É por isso que não ouvimos os assobios para cães. Já os ratos podem ouvir de um Hz até cerca de 90 kHz, e usam as frequências mais altas (inaudíveis para nós) para comunicarem entre eles. Já os morcegos podem ouvir até aos 120 kHz. Para compensar a sua falta de visão usam uma variação de pitch, isto é, uma variação nas frequências de cada som, em pleno voo para se aperceberem dos objetos à sua volta.

Cortesia da Bilsom Internacional, Lda.

João Paulo Teixeira (Instituto Politécnico de Bragança) - 2012-10-09 11:19:57