Antioxidantes: verdades e mitos

O conceito “antioxidantes” é hoje utilizado como selo de qualidade numa enormidade de produtos comercializados, com o objetivo de fomentar a sua aquisição pelos consumidores. O público familiarizou-se com o termo como sendo um produto químico que promove o bem-estar. Abundam os alimentos antioxidantes, bebidas (muitas vezes excessivamente ricas em açúcares e corantes), cosméticos e cremes.


Como resultado, numerosas vitaminas, oligoelementos e micronutrientes, são considerados «antioxidantes universais». Por serem antioxidantes, aceita-se que quanto mais se consomem mais benéficos são para a saúde.


Mas, será que tudo o que os agentes publicitários proclamam é “tão” verdade como nos querem fazer acreditar?
A origem de antioxidantes remonta à antiguidade. É reconhecido o notável conhecimento técnico dos antigos egípcios na preservação de corpos mortos, em parte devido ao uso de extratos vegetais ricos em polifenóis, poderosos antioxidantes. Apenas no século XX, na década de 40, a comunidade científica entendeu este mecanismo que envolve a produção de espécies reativas de oxigénio (ROS).
Durante a atividade celular normal, vários processos dentro das células produzem ROS. Estes compostos, quando presentes numa concentração suficientemente alta, podem provocar danos na célula, ao nível do ADN, das proteínas, dos lípidos ou podendo até promover atividade carcinogénica.


Segundo os investigadores Halliwell e Gutteridge (2007), um antioxidante é “qualquer substância que atrasa, impede ou remove os danos oxidativos a uma célula provocados pelas ROS". Assim, quando Denham Harman propôs, na década de 50, que o envelhecimento era resultado de mudanças progressivas originadas por danos causados pelas ROS acumuladas nas células, levantou de imediato a possibilidade de moléculas antioxidantes poderem retardar o processo de envelhecimento, prolongar a vida útil do indivíduo e evitar o desenvolvimento de várias doenças.


Um vasto número de estudos epidemiológicos indica a utilização de antioxidantes na prevenção de doenças, particularmente doenças cardiovasculares e cancro. No entanto, resultados recentes provenientes de ensaios clínicos identificam consequências negativas associadas ao uso de suplementos antioxidantes e uma suposta redução das ROS.


Assim, os alimentos que contenham naturalmente antioxidantes e não sejam hipercalóricos, ou seja, cogumelos, frutos (por exemplo frutos vermelhos), legumes e grãos, ajudam a manter a saúde humana, evitando a doença. A contribuição de suplementos com antioxidantes é incerta. O seu consumo em elevadas doses geralmente não fará nenhum bem, podendo até causar danos ao ser humano.

Cogumelos silvestres

Suplemento alimentar antioxidante

Josiana Vaz e Adília Fernandes (Instituto Politécnico de Bragança) - 2013-01-22 12:04:11