Comportamento agressivo do doente com Alzheimer. Como intervir?

A doença de Alzheimer foi descrita pela primeira vez em 1906, pelo psiquiatra alemão Alois Alzheimer. De acordo com a Associação Portuguesa dos Familiares e Amigos de Alzheimer, representa cerca de 50% de todos os casos de demência primária. Em Portugal, estima-se que haja cerca de 153 mil pessoas com demência 90 mil com doença de Alzheimer. Afeta com mais frequência as pessoas idosas e define-se, segundo Cardoso, Moreira e Oliveira (2006), como uma “deterioração crónica e progressiva das funções cognitivas levando à incapacidade de realizar tarefas diárias”. Embora as suas causas permaneçam desconhecidas, evidências científicas sugerem a existência de dois fatores: a acumulação da proteína beta-amiloide e/ou a disfunção mitocondrial.


De início insidioso e declínio gradual de faculdades cognitivas, caracteriza-se ainda por sintomas psicóticos e delírios. O conteúdo delirante inclui a crença de estar a ser ameaçado, espoliado ou abusado pelos cuidadores. A agitação, a agressividade, a inquietude, os questionamentos repetidos, os distúrbios do sono e a “síndrome do entardecer” são exemplos comuns de alterações comportamentais.


A agressividade pode ter origem devido a fatores relacionados com: o meio (ruído ambiental, ambiente desconhecido); a comunicação (incapacidade em identificar pessoas e/ou objetos e locais, incapacidade de expressar dor, angústia e ansiedade) e com a atividade (autoperceção da incapacidade em executar as atividades de vida diária e da perda de autonomia).
Para prevenir os comportamentos agressivos é importante abordar o doente de forma tranquila; realizar atividades que não sejam demasiado complexas; estabelecer rotinas sem exigências; realizar atividades lúdicas; proporcionar um ambiente calmo; promover o exercício físico e reforçar positivamente as atividades desenvolvidas. Perante uma crise de agressividade é importante falar serenamente; acalmar e distrair o doente; não se aproximar bruscamente; evitar a utilização da força e da ameaça verbal e não imobilizar o doente.
As alterações comportamentais são frequentes no desenvolvimento da doença de Alzheimer. A intervenção da família/cuidador torna-se imprescindível em todas as fases da doença. A prevenção e o controlo são fundamentais. A informação adequada ajuda a lidar e a compreender as situações, diminui o preconceito, evita a infantilização dos idosos e melhora a qualidade de vida, quer do doente, quer do familiar/cuidador.


Podendo esta tarefa ser difícil, pode também ser gratificante, pois à medida que o cuidador se sente mais seguro vai aumentando o seu grau de satisfação.

Adília Fernandes, Carlos Magalhães, Celeste Antão - 2013-01-22 12:06:35