Quedas das pessoas idosas: causas e consequências

As quedas constituem um problema para as pessoas idosas. Vários são os fatores que podem aumentar o risco de queda do idoso. Estes podem ser apelidados de intrínsecos e extrínsecos. Os primeiros incluem, as alterações fisiológicas que advêm do processo do envelhecimento (alterações da visão, audição, sistema nervoso e do aparelho locomotor, com implicações sobre a marcha e equilíbrio), as patologias (agudas e/ou crónicas – do aparelho locomotor, cardiovascular, neurológico, entre outros), e ainda, o consumo de determinados fármacos (anti-hipertensivos; psicofármacos, entre outros). Os fatores extrínsecos reportam-se ao ambiente em que o idoso se encontra (seja no domicílio – iluminação insuficiente, tapetes soltos, ausência de corrimão de apoio, por exemplo; seja na rua – passeios irregulares e com obstáculos). O maior número de fatores e a sua interação, podem potencializar o risco de queda do idoso.


As quedas podem resultar em consequências, imediatas e/ou a longo prazo, sobre a saúde e bem-estar da pessoa idosa. Estas podem ser físicas, psicológicas e sociais. Regra geral, as consequências físicas (ex.: fraturas, contusões, feridas, entre outras) são as que levam o idoso a recorrer com mais frequência ao serviço de urgência. As fraturas constituem uma das consequências mais graves, para o idoso, para a sua família e para a sociedade, pois, para além da dor, podem daqui resultar sequelas (incapacidades) responsáveis pelo maior nível de dependência, implicando, por vezes, a institucionalização do idoso em equipamentos coletivos de alojamento permanente ou temporário, tais como lares de idosos. A consequência psicológica mais comum reporta-se ao medo em voltar a cair, também designado por “ptofobia”, com implicações sobre a vida social, na medida em que pode levar a pessoa idosa a reduzir as suas atividades de vida diária, a isolar-se socialmente, limitando-a ao seu ambiente domiciliar. Também a família, por recear que o idoso sofra novas quedas, restringe, por vezes, as suas atividades, contribuindo para a sua imobilidade e consequente atrofia muscular, potencializando o ciclo vicioso para o risco de uma nova queda.


A avaliação do risco de quedas, realizada por uma equipa multidisciplinar, recorrendo-se à utilização de instrumentos elaborados e validados para o efeito, pode ser fulcral para o posterior planeamento de intervenções adequadas que visam a prevenção das quedas nas pessoas idosas.

Idosos a caminhar na rua (Fonte: http://commons.wikimedia.org/)

Carlos Magalhães, Adília Fernandes e Celeste Antão (Instituto Politécnico de Bragança) - 2013-05-29 11:02:14