Porque podemos morrer depois de uma transfusão sanguínea incorreta?

O sangue é um líquido composto pelo plasma (água e substâncias dissolvidas) e células sanguíneas com diversas características e funções. Circula pelo interior dos vasos sanguíneos impulsionado pelas contrações do coração. Este facto é comum a todas as pessoas, mas como poderá uma simples transfusão sanguínea levar à morte de uma pessoa?


Os glóbulos vermelhos, também denominados por eritrócitos ou hemácias, têm na superfície da sua membrana substâncias específicas que funcionam como antigénio e que permitem classificar o sangue em vários grupos.
Cada pessoa possui um determinado grupo sanguíneo (para os 30 sistemas de grupos existentes). Destes, os considerados mais importantes para a prevenção de reações adversas na medicina transfusional é o sistema ABO e o Rh.


Tomando como exemplo o sistema ABO, podemos encontrar os grupos A, B, AB e O que dependem da informação genética transmitida pelos progenitores. O indivíduo pode ter na superfície dos eritrócitos antigénios do tipo A, do tipo B, ambos ou nenhum, e é com base na presença ou na ausência destes antigénios que o sangue é classificado em diferentes grupos. Dizemos que estamos perante um sangue do tipo O quando nenhum dos antigénios está presenta, do tipo A quando está presente o antigénio A, do tipo B quando está presente o antigénio B e, por último, do tipo AB quando na superfície da membrana estão presentes ambos antigénios A e B.


Além da presença/ausência destes antigénios nas membranas dos eritrócitos, o plasma de cada indivíduo contém anticorpos para antigénios qua não estão presentes nos glóbulos vermelhos daquele indivíduo e que reagem especificamente com antigénios tipo A ou tipo B. Assim, um sangue que tenha eritrócitos com antigénios (A, B ou ambos), não poderá entrar em contacto com o sangue que contenha os anticorpos desses antigénios. É, então, fundamental saber qual o grupo sanguíneo a que pertencemos, pois podem ocorrer graves reações no caso de transfusões de sangue com tipologia diferente da do recetor. Se isto acontecer, poderão ocorrer ligações antigénio-anticorpo, provocando um aglomerado e destruição (hemólise) dos eritrócitos do dador, causando uma reação de tal forma intensa que pode levar à morte do recetor.


Atualmente, na área da segurança transfusional, a investigação científica e o avanço tecnológico têm permitido uma maior sofisticação desde a seleção dos dadores até à administração terapêutica do sangue e componentes sanguíneos.

Andreia Ribeiro, Rui Lima e Carina Rodrigues (Instituto Politécnico de Bragança) - 2013-06-19 11:53:11