Avaliar o risco de fratura do fémur... um desafio para prevenir

A fratura do colo do fémur (articulação da anca) é a lesão mais comum em idosos. A sua incidência aumenta exponencialmente com a idade e 75% dos casos ocorre no sexo feminino. Em Portugal, entre 2000 e 2002, cerca de 4 em cada 100 mulheres com idade superior a 80 anos teve fratura do colo do fémur. A mortalidade duplica em indivíduos com esta patologia, nos 12 meses após fratura, sendo que a probabilidade de morte atinge 30%. Dos que sobrevivem, cerca de 50% perdem a capacidade de executar as tarefas quotidianas. O envelhecimento da população faz prever um aumento da incidência de fratura do colo do fémur com toda a panóplia de consequências associadas. Assim, esta patologia é um problema grave de saúde pública que exige amplos esforços no sentido de prever e prevenir a sua ocorrência.


A perda de massa óssea (osteopenia e osteoporose) e o trauma associado às quedas em indivíduos idosos são os principais fatores implicados na ocorrência de fratura óssea. Se diminui a densidade do osso, também diminui a sua resistência às forças que nele atuam, e como consequência aumenta o risco de fratura. No entanto, a quantificação da densidade óssea só por si não permite avaliar o risco de fratura. Há que considerar também a morfologia (forma do osso), bem como a espessura da camada cortical (a camada de osso mais periférica). Tem sido desenvolvida investigação nesta área, recorrendo a técnicas de engenharia numéricas e experimentais, em estreita relação com a medicina. Neste âmbito, desenvolveram-se métodos não invasivos, que avaliam a resistência do osso às forças que nele atuam, resultantes da execução das tarefas quotidianas, nomeadamente a simples caminhada.


Atualmente, é possível avaliar a resistência do fémur em cada indivíduo, recorrendo à tomografia computorizada (TAC) da articulação da anca. Mediante o tratamento e a análise das imagens médicas, em programas informáticos específicos, criam-se modelos tridimensionais (3D) virtuais que incorporam informação da geometria, densidade e espessura da camada cortical do osso. Nestes modelos e, mais uma vez recorrendo a programas informáticos, simulam-se as cargas ou forças previsíveis no fémur daquele individuo, quando executa as tarefas diárias. Este método revela as zonas ósseas mais frágeis do fémur, identificadas qualitativamente como zonas críticas, dando uma perspetiva do risco de fratura no fémur daquele indivíduo. Este método permite testar o efeito de terapêuticas utilizadas em casos de osteopenia e osteoporose, e que se pretende que aumentem a resistência do osso às solicitações impostas pela atividade diária do indivíduo. Na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Bragança, no Laboratório de Estruturas e Resistência dos Materiais, LERM, é possível efetuar estudos com a construção de modelos, imagens e gráficos representativos da avaliação do risco de fratura associado à resistência óssea do fémur.

Modelo 3D do fémur

Modelo numérico do fémur

Elza Fonseca, Luísa Barreira e Cristina Teixeira (Instituto Politécnico de Bragança) - 2012-06-27 14:52:11