O que acontece quando somos picados por um inseto?

Não é necessário estarmos numa floresta tropical, caracterizada pela imensidão de “bichos” que nela habitam, para sermos picados por insetos. Na rua, ou até mesmo em casa, encontramos insetos capazes de atacar de repente e de forma impercetível. Os insetos picam por necessidade de se alimentarem. Muitos são considerados pelo Homem como prejudiciais pelo facto de transmitirem doenças ou destruírem colheitas. No entanto, a maioria das espécies é benéfica para o ser humano ou para o meio ambiente, pois ajudam na polinização das plantas, produzem substâncias úteis, como o mel, a cera e a seda, podem ser usados para o tratamento de feridas, contribuem para a remineralização dos produtos orgânicos e são insetívoros, isto é, alimentam-se de outros insetos, ajudando a manter o equilíbrio da natureza. Por estas razões, e muitas outras, o uso de inseticidas pode ter efeitos prejudiciais para o Homem e para a natureza, matando para além dos insetos que se pretendem eliminar, outras espécies importantes para a manutenção do referido equilíbrio.


As picadas dos insetos podem ser dolorosas, mas geralmente não são perigosas. Perigosa pode ser a reação alérgica que surge. Algumas picadas são piores que outras, como é o caso das abelhas e das vespas, pois provocam uma dor maior e prolongada e demoram mais tempo a sarar.


Geralmente, a picada de um inseto provoca reações no nosso organismo com o objetivo de nos proteger da picada, como por exemplo vermelhidão local, edema (inchaço) da área, prurido (comichão) intenso, irritação da pele e libertação de um líquido transparente pelo local da picada. Pode também originar, em caso extremo, um choque anafilático, isto é, uma reação alérgica, potencialmente letal, que provoca a queda da pressão arterial, tonturas, dificuldades respiratórias, podendo ocorrer também edema da glote; trata-se, portanto, de uma reação rápida que requer cuidados de emergência devido ao risco de morte por asfixia.


A primeira ação a realizar após uma picada passa pela remoção do ferrão deixado no local pelo inseto, tentando evitar o alastramento do veneno. Esfregar o local da picada não é indicado, pois provoca vasodilatação, aumenta a absorção do veneno e pode originar uma ferida e, consequentemente, uma infeção secundária. De forma a aliviar o prurido, deve ser aplicado gelo no local da picada, durante cerca de 10 minutos, contribuindo, desta forma, para a vasoconstrição e para a diminuição da inflamação do local. Se o local da picada permanecer edemaciado, se o prurido se mantiver intenso, se surgir aumento da temperatura corporal e ocorrerem suores frios, deve recorrer-se aos serviços de saúde.


Para evitar ser picado podem tomar-se várias medidas, tais como: evitar a exposição da pele em locais com elevada população de insetos, ou quando estes se encontram particularmente ativos, nomeadamente ao nascer e ao pôr-do-sol; recorrer ao uso de repelentes; tomar precauções em casa, utilizando redes ou mosquiteiros que evitem a sua entrada pelas janelas e portas ou mantendo-as fechadas; evitar o uso de produtos com perfumes e roupas coloridas, pois podem ser atrativos; desparasitar os animais de estimação regularmente e sempre que sejam detetados ninhos de insetos recorrer a serviços de profissionais especializados.

Ana Curralo, Ana I. Pereira, Adília Fernandes (Instituto Politécnico de Bragança) - 2013-08-31 11:50:00