As auroras Polares – Pinturas no Céu

As auroras são fenómenos que se manifestam visualmente como um espetáculo de luzes difusas e coloridas, junto dos polos geomagnéticos da Terra, localizados perto dos Polos Norte e Sul geográficos. A aurora do Norte é conhecida como aurora boreal e a sua homóloga no Sul é denominada por aurora austral. As primeiras explicações científicas sobre as auroras surgiram nos primórdios do século XX e a investigação proporcionada pela era espacial permitiu desmitificar substancialmente o fenómeno, embora a beleza etérea das auroras continue a deslumbrar e a inspirar temor.


A luz auroral resulta, em primeira instância, da interação entre os ventos solares e o campo magnético da Terra. Os ventos solares designam um fluxo contínuo do campo magnético solar e partículas subatómicas carregadas a partir da coroa do Sol e que interagem com o campo magnético intrínseco da Terra, comprimindo-o do lado diurno e esticando-o do lado oposto, definindo a geometria da magnetosfera terreste, grosseiramente aproximada à de um cometa.


A dinâmica associada aos ventos solares e a atividade resultante na magnetosfera conduz a rearranjos do campo magnético, responsáveis pelo estabelecimento de uma diferença de potencial entre a cauda da magnetosfera e os polos magnéticos terrestres. Esta diferença de potencial acelera as partículas carregadas, presentes na magnetosfera, nas direções polares, projetando aquelas na ionosfera, a camada superior da atmosfera, a velocidades elevadas. Estas partículas, essencialmente eletrões, colidem com as moléculas de nitrogénio e oxigénio presentes na ionosfera, transferindo-lhes energia, o que provoca a emissão de radiação e de outros eletrões. Desta forma, os gases da ionosfera brilham e conduzem correntes, num processo análogo ao que ocorre nas lâmpadas de descarga.


As cores aurorais são determinadas pelo espectro dos gases presentes na ionosfera e pela altitude a que ocorrem as colisões. A cor esverdeada é a mais frequente e é provocada por átomos de oxigénio a altitudes entre 100 e 200 km, dando lugar ao vermelho para altitudes superiores a 250 km. O nitrogénio produz auroras de cor azul e violeta.


A intensidade da atividade auroral terrestre relaciona-se com a atividade magnética no Sol, caracterizada estatisticamente por períodos de, aproximadamente, 11 anos. O próximo pico de atividade está previsto em 2013, com boa probabilidade de ocorrência de auroras fora da faixa usual. Embora as auroras constituam um espetáculo de uma beleza invulgar, elas podem comprometer comunicações via rádio, sistemas de defesa baseados em radares e interferir com as linhas de transmissão de energia. As correntes induzidas pelos campos magnéticos variáveis que acompanham as auroras podem ainda provocar corrosão da tubagem, como a do oleoduto do Alasca.

Aurora boreal no Alasca em março de 2011. Fonte/Créditos: NASA Goddard Space Flight Center/James Spann. Disponível em http://www.flickr.com/photos/gsf

Aurora boreal, sobre o Lago Bear, na base Eielson, da Força Aérea estadunidense, no Alasca em 18 de janeiro de 2005. Fonte/Créditos: U.S. Air Force/Jo

Ângela Ferreira (Instituto Politécnico de Bragança) - 2012-09-11 14:25:31