Energias Renováveis

Constata-se um óbvio e recente interesse no desenvolvimento de tecnologias associadas à aplicação de fontes de energia renováveis, a que não é alheia a escalada no preço das tradicionais fontes fósseis de energia, que alimentam a civilização industrial moderna nos últimos 250 anos.


De facto, a recuperação das energias renováveis como fontes viáveis de energia representa um retorno tecnológico ao passado pré-industrial da humanidade. Durante quase a totalidade da história da civilização humana, as únicas fontes de energia disponíveis eram precisamente aquelas que agora designamos por energias naturais ou renováveis. Assim, a necessidade de aproveitamento destas fontes de energia e do desenvolvimento de tecnologia para esse efeito é uma realidade tão antiga como os 10 mil anos da história da civilização. Por outro lado, os próprios combustíveis fósseis são recursos já sobejamente conhecidos de há milénios. No entanto, a sua utilização em larga escala apenas se tornou viável quando se desenvolveram as tecnologias adequadas à sua aplicação, nomeadamente a máquina a vapor (carvão) e o motor de combustão interna (derivados do petróleo) nos séculos XVIII e XIX, respetivamente. Neste sentido, o que se observa na viragem para o século XXI é um redireccionamento das atenções para fontes de energia tradicionais, mas agora numa perspetiva tecnológica mais sofisticada de produção de larga escala, para complementar a verificação das necessidades energéticas de uma sociedade agora predominantemente urbana e global. Esta necessidade advém essencialmente da consciência da finitude das fontes de energia fóssil, e dos notórios efeitos ambientais da sua utilização intensiva numa escala global.


Ao contrário da economia do petróleo, o campo das energias renováveis apresenta-se como um sistema de grande complexidade, já que abre a possibilidade a múltiplos caminhos em termos do tipo de fontes de energia acessíveis (eólica, hídrica, geotérmica, marés, etc.) que representam tecnologias de aproveitamento bastante distintas entre si. Neste sentido, a biomassa apresenta-se como um caso paradigmático desta complexidade, já que esta é uma fonte complexa de energia química, baseada em compostos de carbono, e representa um aproveitamento de uma energia biológica fresca, em contraste com a energia biológica fossilizada, baseada igualmente em compostos orgânicos de carbono dos produtos petrolíferos. Dadas as múltiplas origens da biomassa, a sua energia pode tornar-se acessível através de variadas estratégias que vão desde a combustão direta, até processos químicos, ou bioquímicos, de degradação parcial da matéria orgânica que possibilitam a produção de outras fontes de energia de utilização posterior (por exemplo, gás de síntese ou biogás).

Paulo Brito (Instituto Politécnico de Bragança) - 2012-09-11 14:25:14