Da imagem médica ao modelo sólido

A prototipagem rápida de modelos começou por ser utilizada na engenharia e no design. As primeiras técnicas para prototipagem rápida ficaram disponíveis nos anos oitenta e foram usadas para produzir modelos e protótipos. A origem do nome está no facto de se fabricarem essencialmente protótipos em pouco tempo, idealmente em menos de 24 horas. Com o desenvolvimento da tecnologia o nome mudou, passando a designar-se de fabrico aditivo, já que a tecnologia é aplicada não só ao fabrico de protótipos como ao fabrico de qualquer tipo de peça.


Prototipagem rápida, ou melhor, fabrico aditivo, é a construção automática de objetos físicos. Trata-se de um processo aditivo construtivo, camada por camada, que permite produzir objetos com formas complexas diretamente de dados digitais tridimensionais. As geometrias podem ser obtidas utilizando um programa de modelação sólida (CAD) ou pela conversão de arquivos obtidos de scanners 3D, de Tomografia Computadorizada e da Ressonância Magnética.


Na área da engenharia Biomédica, recorrendo a técnicas de prototipagem, é possível fabricar vários tipos de modelos anatómicos e réplicas de implantes com fins educacionais ou para melhor entender determinada patologia de um paciente ou mesmo para planeamento cirúrgico. Os modelos, dependendo das técnicas disponíveis, podem ser feitos de papel, cera, cerâmicos, plástico ou metal. Estes modelos podem ser produzidos sem necessidade de acabamento e de várias cores, podendo, no entanto, posteriormente, sofrer estas operações de acabamento e pintura, de forma a facilitar a sua visualização. Com objetivos educacionais é possível fabricar réplicas de implantes por um valor muito inferior ao do implante.
Os profissionais das áreas médicas têm colaborado, cada vez mais, com profissionais de outras áreas no sentido de otimizar pré-operatoriamente a análise da patologia, encurtar os tempos de intervenção cirúrgica, criar ferramentas personalizadas, facilitar o diálogo com os pacientes e, simultaneamente, explorar as potencialidades que a tecnologia oferece em termos de design de próteses personalizadas.


Um dos casos mais populares de aplicação da prototipagem rápida na área médica foi a separação das gémeas siamesas, conhecidas como “Pequenas Marias”, que nasceram unidas pelo crânio e com os rostos virados em direções opostas. A equipa médica utilizou na preparação da cirurgia vários modelos biomédicos elaborados através desta técnica.

João Rocha e Luís Queijo (Instituto Politécnico de Bragança) - 2012-11-27 15:05:52