A evolução dos códigos de barras

Os códigos de barras são vulgarmente utilizados para identificar diversos produtos. Estes códigos são uma representação gráfica de dados que consiste numa sequência de barras verticais brancas e negras, possuindo uma capacidade de representação máxima de 20 dígitos. A utilização deste tipo de códigos obriga à existência de bases de dados e terminais específicos para efetuar a leitura dos códigos.


Para tornar as empresas mais eficientes e competitivas, a quantidade e qualidade da informação que o próprio produto traz consigo pode ser determinante, bem como a rapidez com que se consegue aceder a essa informação. Neste contexto, tornou-se necessário projetar um código que possuísse uma capacidade superior de representação de informação, relativamente ao código de barras, e que fosse de leitura extremamente rápida. No código de barras, a informação é representada apenas ao longo da horizontal (as barras são verticais), pelo que, o passo seguinte foi fazer uso da outra dimensão para aumentar a capacidade de representação de dados. Os códigos passam a ter a informação definida na horizontal e na vertical, assim, as cores pretas e brancas passam também a ser definidas, de acordo com a informação a representar, segundo essas mesmas direções.


Um exemplo deste tipo de código é o QR – Quick Response Code – que permite que qualquer dispositivo móvel, equipado com uma câmara e software adequado, consiga ler/interpretar o conteúdo do código de uma forma simples, rápida e eficaz. Desta forma, deixam de ser necessários terminais de leitura específicos e bases de dados adicionais para conter a informação.


Estes códigos foram desenvolvidos originalmente por uma empresa japonesa, Denso Wave Incorporated, em meados da década de 90, com a finalidade de usar a informação dos códigos no controlo da produção de peças automóveis, na sua linha de produção. Os códigos foram depois colocados pela empresa no domínio público, tornando o seu uso gratuito.


Os códigos têm uma capacidade de representação de informação variável de acordo com o tipo de informação em jogo:
• Símbolos numéricos: máx. de 7089 carateres
• Símbolos alfanuméricos: máx. de 4296 carateres
• Símbolos binários (8 bits): máx. de 2953 bytes
• Símbolos japoneses Kanji e Kana: máx de 1817 carateres (são os primeiros códigos que suportam diretamente estes tipos de símbolos: desenvolvidos no Japão).


Os códigos QR podem ter múltiplas funcionalidades e usualmente implicam uma interação com uma aplicação do terminal móvel que realizou a leitura do código. Algumas dessas funcionalidades são a execução de um browser para abrir uma página de internet, preparação de um envio de SMS para um número específico, ou, simplesmente, conter informação sobre um determinado produto (útil para as empresas transportadoras: identificação do remetente, destinatário, percurso a percorrer e paragens programadas nos centros de distribuição). No Japão, onde o seu uso está mais generalizado do que no resto do mundo, são inclusivamente usados para efetuar pagamentos – o recibo contém um código QR que, por sua vez, contém as informações necessárias para que o pagamento seja feito.

Rui Fernandes (Instituto Politécnico de Bragança) - 2012-11-27 15:12:19