A febre do Betão "Aluminosis"

Ao longo de 1950 e 1980, começou a espalhar-se na Europa o uso de cimento aluminoso. Este cimento possuía características extraordinárias para determinados elementos de construção, principalmente uma resistência muito superior à do cimento normal, alcançada num curto espaço de tempo. Tinha também outras vantagens importantes em comparação com o cimento normal, o que o levou a ser muito apropriado para elementos pré-fabricados de edifícios. Após o colapso, em toda a Europa, de alguns edifícios construídos com materiais à base de cimentos aluminosos, começou a perceber-se que um grande número desses edifícios sofria de problemas estruturais sérios.
Estes problemas foram causados por uma patologia grave no betão devido, essencialmente, ao uso inadequado de cimento aluminoso. A esta patologia denominou-se “Aluminosis”. Provoca a deterioração do betão armado, pois reduz consideravelmente a sua resistência e a resistência da armadura nele inserida, principalmente em presença de ambientes húmidos e temperaturas elevadas. As causas deste problema são essencialmente químicas.
Neste caso, os custos de uma reparação são muito elevados mas, em muitos lares, já nem sequer foi possível recorrer a um reforço estrutural como solução do problema, pois já era tarde demais para intervir. A estrutura estava muito deteriorada e foi necessário demoli-los. Espanha é considerado um dos países mais afetados por Aluminosis. Estima-se que, atualmente, cerca de 200 mil casas ainda permaneçam afetadas, o que constitui um problema económico, social e político na sociedade espanhola.
Em alguns países da Europa ainda se usa o cimento aluminoso, contudo, a sua utilização rege-se por uma série de normas rigorosas que possibilitam a sua aplicação sobretudo em elementos pré-fabricados. A regulamentação, baseada em estudos científicos é, como se pode concluir, fundamental. Um produto que aparentemente tinha ótimas características revelou-se um produto altamente perigoso que punha, e ainda põe, em risco bens materiais e humanos. Em Espanha, parece ter havido um abandono do dever da administração pública, pelo menos quando comparado com a atenção dada ao assunto em outros países. O que é facto é que só quando ocorreu uma morte em 1990, num colapso dum edifício de forma repentina, no nº 33 da Rua Cadí de Barcelona, começou a dar-se mais atenção ao problema. Mas, ainda assim, um dos casos mais famosos é o estádio de futebol do Vicente Calderon (Atlético de Madrid) que será provavelmente destruído no ano 2015 por estar afetado com essa patologia.

Mickael Jorge Da Silva, Eduarda Luso (Instituto Politécnico de Bragança) - 2012-11-27 15:15:29