O calçado através dos tempos

Não é possível conhecer a data exata em que o Homem começou a utilizar calçado, estimando-se, contudo, que tal tenha ocorrido por volta de 8000 a.C.. A atestá-lo existem algumas figuras rupestres datadas dessa época, ilustrando o uso de uma espécie de sandália.


No decorrer da História, o calçado serviu como elemento diferenciador entre classes sociais. No Antigo Egito, as sandálias eram produzidas em couro e tingidas de acordo com a classe social do seu utilizador. O faraó usava sandálias douradas e os elementos pertencentes à classe alta utilizavam sandálias em tons pastel. Aos escravos não era permitida a utilização de qualquer tipo de calçado. De igual forma, na Grécia Antiga, os nobres usavam sandálias feitas com fios de ouro. Em Roma, o imperador Aurélio determinou que apenas ele e os seus descendentes poderiam usar sandálias romanas de cor vermelha. Já na Idade Média considerava-se que o tamanho do bico do sapato era equivalente ao prestígio social do seu utilizador.


As primeiras fábricas de calçado surgiram na Europa no século XVIII, transformando-o num acessório mais barato e, consequentemente, mais acessível à população em geral. Mais tarde, já no início do século XIX, os sapatos começaram a ser produzidos com o formato dos pés, isto é, diferenciando o pé esquerdo do direito. É, contudo, no século XX que ocorre a grande transformação tecnológica deste setor, tendo surgido vários sistemas de construção para o calçado.


A evolução do calçado foi sendo sempre acompanhada pela introdução de novos materiais, principalmente no que respeita à produção de solas. Até 1920, estas eram fabricadas em borracha natural crepe, passando a borracha vulcanizada a ser utilizada apenas a partir desta data. Com o decorrer da II Guerra Mundial, desenvolveram-se solas baseadas nas chamadas borrachas sintéticas, como por exemplo a borracha de estireno-butadieno (SBR). Outro material introduzido nesta época corresponde ao policloreto de vinilo (PVC), material conhecido por ser também amplamente utilizado na produção de embalagens para líquidos e, mais recentemente, na produção de perfis para janelas. Na década de 60, surgiu a borracha sintética do tipo estireno-butadieno-estireno (SBS) e os poliuretanos (PU) microcelulares, estes últimos caracterizados pela sua leveza. Mais recentemente, foram ainda introduzidos materiais como os poliésteres e o etileno-vinil-acetato (EVA), material de que são feitas as conhecidas crocs.


Atualmente, a procura diferenciada dos consumidores, a introdução de nova legislação e o aumento de uma consciência ambiental que motiva a procura de produtos mais ecológicos, servem como impulso para o desenvolvimento de novos materiais, sistemas de construção e design para o calçado. Neste contexto, produtos tais como colas de base aquosa, poliuretanos microcelulares resistentes à chama para botas de bombeiro mais leves e confortáveis e o desenvolvimento de revestimentos antimicrobianos para couro com base em produtos naturais, constituem exemplos de novos desenvolvimentos.

Adesivos de base aquosa

Couro tratado com um revestimento antimicrobiano de origem natural

Filomena Barreiro (Instituto Politécnico de Bragança) - 2013-01-08 17:05:44