Como proteger a vitamina E?

A microencapsulação é atualmente uma área em grande desenvolvimento e com aplicação em diversos campos, como por exemplo a indústria alimentar e farmacêutica. Consiste na formação de partículas de pequenas dimensões (na ordem dos µm), fazendo uso de um material, normalmente polimérico, cuja função é proteger ou viabilizar o uso de uma substância à qual se dá o nome de princípio ativo. No caso de aplicações biomédicas ou alimentares, é interessante utilizar polímeros que apresentem características de biocompatibilidade e/ou biodegradabilidade.


As microcápsulas atuam como um invólucro protetor do princípio ativo que se pode apresentar sob a forma de gotículas líquidas, partículas sólidas, ou mesmo de material gasoso, evitando, assim, a sua exposição inadequada. De um modo geral, a microencapsulação tem vantagens importantes tais como, separar componentes reativos ou incompatíveis, disfarçar odores indesejáveis e ainda permite uma libertação controlada do princípio ativo.


Um exemplo interessante consiste na microencapsulação da vitamina E. Esta vitamina é um antioxidante que possui um papel importante na proteção do organismo contra certos tipos de cancro e envelhecimento da pele. Estudos recentes sugerem que a vitamina E aumenta a imunidade em pessoas idosas e que a utilização de suplementos desta vitamina reduz o risco de contrair infeções do trato respiratório superior, especialmente a gripe comum. As principais fontes dietéticas são os óleos vegetais, frutos secos e cereais integrais.


A principal forma da vitamina E é o α-tocoferol, também reconhecida como sendo a biologicamente mais ativa. Contudo, o α-tocoferol é uma substância instável à temperatura, luz e oxigénio, degradando-se facilmente. Assim, a microencapsulação deste princípio ativo torna-se importante para que este não perca a sua bioatividade quando incorporado em alimentos e/ou suplementos alimentares. Desta forma, o α-tocoferol é protegido do meio envolvente mantendo as suas propriedades benéficas, nomeadamente a sua capacidade de proteção contra doenças degenerativas.

Figura 1: microesferas de alginato que contêm no seu interior princípio ativo (alfa-tocoferol), ampliação 100x

Figura 2: Microesferas de alginato sem princípio ativo no seu interior, ampliação 100x.

Andreia Ribeiro, Filomena Barreiro (Instituto Politécnico de Bragança) - 2013-02-02 14:06:11