Robôs na medicina

A robótica já extravasou o domínio da ficção científica e é atualmente utilizada em diversas áreas, nomeadamente na medicina, onde se destacam o apoio na cirurgia, na fisioterapia, na realização de exames endoscópicos e no apoio hospitalar.


Na cirurgia, os robôs oferecem uma precisão inigualável, tornando-se técnicas pouco invasivas que originam menor dor, menor tempo de recuperação, menor risco de infeção e menor perda de sangue. Um exemplo é o sistema robotizado Da Vinci, constituído por uma consola, quatro braços manipuladores, três ferramentas para manipular objetos (ex.: pinças e tesouras) e uma câmara endoscópica com duas lentes. As suas aplicações principais são na área da urologia, da ginecologia-obstetrícia, da cirurgia geral e da otorrinolaringologia, nomeadamente em patologias do foro oncológico. O Hospital da Luz possui um destes sistemas, tendo a primeira intervenção sido uma prostatectomia radical. A principal desvantagem deste sistema é o seu elevado custo.


Na área da fisioterapia, os robôs executam o trabalho destinado a fisioterapeutas, em particular em situações que exigem a disponibilidade de um fisioterapeuta durante as sessões, em média de 45 ou mais minutos, e em exercícios repetitivos e cansativos para o fisioterapeuta, durante meses. O Lokomat é um exemplo de um robô fisioterapeuta, que auxilia pessoas semiparalisadas e vítimas de derrames cerebrais a aprender a andar novamente, compreendendo a metade inferior do corpo, onde o paciente coloca as pernas e realiza o movimento imposto pelo robô. A utilização deste sistema poupa dois terapeutas de trabalho manual árduo.


A endoscopia é uma técnica minimamente invasiva de auxílio ao diagnóstico médico. Tradicionalmente, este exame é realizado utilizando um endoscópio, que possibilita a visualização interna do organismo por intermédio de uma microcâmara de vídeo e de uma fonte de luz. Este sistema apresenta alguns problemas, como sejam os riscos inerentes à sua utilização (ex.: perfuração ou sangramento), dor e inflamação da parte inferior do abdómen e mal-estar causado pela introdução do endoscópio durante a exploração do tubo digestivo. As cápsulas robóticas endoscópicas são objetos robotizados miniaturizados (ex.: 15 mm de diâmetro e 32 mm de comprimento) que permitem resolver os problemas inerentes aos dispositivos tradicionais. Estas cápsulas aderem às paredes do esófago e deslocam-se ao longo do sistema digestivo, capturando imagens (através de uma microcâmara) e recolhendo tecido para biópsia.


No apoio hospitalar, os robôs são utilizados para preparar e dosear medicamentos, recolher roupa suja e servir refeições, permitindo libertar o pessoal especializado de tarefas banais. Um exemplo deste tipo de sistema é o Helpmate que transporta refeições, medicamentos e roupa suja, e assegura que os pacientes recebam o medicamento certo e na hora certa.


Em conclusão, cada vez mais hospitais em todo mundo optam por esta tecnologia que facilita e melhora os serviços prestados aos pacientes. Num futuro próximo, o aumento de confiança de pacientes e médicos nos robôs será fundamental para que estes tenham um papel ainda mais ativo na nossa saúde.

Source: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Laproscopic_Surgery_Robot.jpg

Paulo Leitão (Instituto Politécnico de Bragança) - 2013-05-04 16:13:40