Softwares … há muitos!

Em termos gerais, a palavra “software” enquadra os programas de computador (aplicações) que usamos para os mais variados fins, desde os mais prosaicos (como processamento de texto), aos mais especializados (como cálculo científico). Inclui também os sistemas operativos (como o Windows, Linux, MacOS, etc.), que fornecem o ambiente adequado à execução desses programas.


Normalmente, o software chega aos utilizadores finais numa forma dita “executável”. Esta forma, expressa em “linguagem-máquina” (de difícil perceção para os humanos), é a única adequada à Unidade Central de Processamento (CPU) de um computador, onde a execução do software acontece de facto. No entanto, a maioria do software é originalmente “codificado” (escrito) em “linguagens de programação de alto nível” (relativamente próximas da linguagem natural), tendo depois o “código-fonte” (ou seja, o “texto” dos programas) de ser convertido para o formato “executável”.


No caso do chamado software “proprietário” ou de “código fechado”, é usual a sua disponibilização em formato executável. Este tipo de software é normalmente software “comercial” (pago) e com licenças de utilização restritivas. O “shareware” e o “freeware” são casos particulares de software proprietário: o primeiro é gratuito durante um período experimental (com eventual limitação de funcionalidade), findo o qual obriga à compra se se quiser continuar a utilizá-lo; o segundo é completamente gratuito. Mas há nuances: um software proprietário pode ser gratuito para uso pessoal e comercial para outros fins …
Quando o software é de “código aberto” (open source), o código-fonte é acessível ao público em geral, que o pode modificar e redistribuir. Estas liberdades formam o património ideológico do chamado movimento do “software livre”, que historicamente precedeu as iniciativas que valorizaram, em alternativa, o conceito de “código aberto”, dada a carga anticomercial do termo “livre” (“free”, em inglês, que também pode significar “grátis”).


A abertura do código permite desenvolver o software de forma colaborativa e descentralizada, incorporando as melhores contribuições da comunidade (indivíduos, academia e empresas). O resultado é software tendencialmente mais robusto (mais fiável e seguro), em evolução e refinamento constante, cuja manutenção e continuidade podem ser asseguradas, se necessário, por programadores voluntários e independentes. A estas vantagens acresce o facto de que o software de “código aberto” é normalmente gratuito. Não se assuma, todavia, que é incapaz de gerar riqueza: o modelo de negócio de muitas empresas assenta na prestação de serviços (distribuição, suporte técnico, formação, funcionalidades extra, etc.) que acrescentam valor a produtos de “código aberto”.


O sistema operativo Linux (usado, hoje em dia, nos mais variados cenários) representa, provavelmente, o expoente máximo da qualidade, sofisticação e complexidade do software de “código aberto”. A ele juntam-se inúmeras aplicações com um rácio custo/benefício tal que, em muitos casos, não se justifica a opção por alternativas comerciais.

José Rufino (Instituto Politécnico de Bragança) - 2013-06-27 17:36:39